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A GRAVIDADE EXIGE A GREVE EM DEFESA DA EDUCAÇÃO

A educação brasileira nunca foi tão necessária e, ao mesmo tempo, nunca foi tão vilipendiada e criminalizada. Começaram atacando os professores, xingados em palanque público como responsáveis pela crise. O famigerado projeto “Escola sem partido” foi um sintoma dessa campanha de difamação sem precedentes. Depois vieram as imposições moralistas, os discursos pseudo-religiosos, baseados nos negacionismos e nos revisionismos históricos. Tudo para implantar uma ideologia baseada na ignorância e no malfeito.  O próximo passo foi a escolha de um ministro incompetente, não apenas mal intencionado como observante dos preceitos que pretendiam sucatear aquilo que tinha sido um dos pontos altos dos governos passados e que é o calcanhar de Aquiles do progresso nacional: as universidades. Não bastassem os desmandos, as palhaçadas, os ditos e desditos, o governo abriu as portas do esgoto para escancarar o quanto a educação estava fora de seu plano - aliás, se é que ele existe, já que se ...
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O APLAUSO DO DIABO: AO LIBERAR ARMAS, GOVERNO AUTORIZA MATANÇA DE INOCENTES

Hoje, 07.05.19, o presidente Bolsonaro foi aplaudido com entusiasmo raro. Na plateia, além dos velhos políticos, estavam os defensores da indústria das armas e demais empresários interessados na venda da morte como medida de eliminação dos indesejados sociais.  Não há nada mais diabólico na sociedade moderna do que a violência indiscriminada praticada pela liberação da posse e do porte de armas. Diabólico porque mata, mas também porque engana: com a desculpa de garantir a segurança pública desejada por todos os brasileiros, o atual governo mente porque a liberação das armas não apenas transfere para a sociedade a obrigação que é sua, mas sobretudo, porque esconde os verdadeiros interesses   (econômicos, especialmente) que estão por detrás destas medidas. Entre os que aplaudiram, estavam os membros do alto escalão do governo, entre os quais o autoproclamado herói-juiz agora ministro da justiça. É vergonhoso e lamentável que a justiça aplauda medidas que acaba...

LUGAR DE CRIANÇA É NA ESCOLA. Contra o projeto de educação domiciliar.

A escola é uma das mais importantes instituições sociais. Sua história remonta à Academia de Platão, ao Liceu de Aristóteles e ao Jardim de Epicuro. No grego, Escola se diz “scholé”, lugar do ócio, o que significa que ela cumpre o papel de retirar os cidadãos da vida prática e dos afazeres domésticos para dar-lhes tempo para pensar. A escola é lugar (e o tempo) do pensamento.  Se na família nos afirmamos como indivíduos, porque ali estabelecemos nossos primeiros laços afetivos, na Escola nos afirmamos como cidadãos, porque é nela que nos encontramos com os primeiros “estranhos” e, assim confrontados, aprendemos as normas da vida social. A escola prepara para a vida. Agora o governo federal quer negar essa história, como tem feito em outros capítulos. Não bastasse o revisionismo e o negacionismo que afetam conteúdos, eles agora atingem a própria instituição escolar. Atacada de todos os lados, empobrecida e abandonada, a Escola já não é mais importante.  ...

MORRE FREI FERNANDO, COM A VERDADE IMPRESSA NA ALMA

VÁ EM PAZ, IRMÃO. “Era como se eu estivesse escrevendo em minha alma aquilo, para não sair nunca mais”: foi com essa frase, ao mesmo tempo forte e terna, que Frei Fernando começou uma entrevista, por ocasião do lançamento do livro escrito em parceria com Frei Betto. Era o seu diário. O relato das torturas, das dores e das esperanças que brotavam das prisões da ditadura militar brasileira.   Ao escrever na alma aqueles relatos, Frei Fernando testemunhou ao longo da sua história terrena, não apenas a vocação e a força de um homem, mas sobretudo as evidências dos fatos que afetaram milhares de pessoas no nosso país, e representam uma das páginas mais tristes de nossa história. No seu texto estão os sangues e as alucinações, as lágrimas e os medos, a escuridão, a fome, os espancamentos, os choques, os afogamentos, os corpos e os sonhos de muita gente. Enquanto escrevia tudo isso naquele papel, em letras minúsculas, Frei Fernando entregava ao mundo, as verdade...

“EU SOU PROFESSORA, NÃO SEI ATIRAR”, DISSE ELA, ENTRE LÁGRIMAS, OUVINDO OS TIROS DE SUZANO.

A frase é de uma professora universitária que buscou hoje, pelo meio dia, a sua filha na escola, enquanto ouvia no rádio as notícias sobre o horror na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano. Na porta da escola, ela secou as lágrimas e avistou Clarinha, derramando-se: “vem filha!”. A frase teve novo sentido diante daqueles dez mortos, dos vários feridos, do horror dos meninos fugindo dos tiros, do inferno dos pais ligando para o celular que não responde, dos outros tantos atordoados em frente à escola. Marcella não sabe atirar, porque aprendeu, por talento e vocação, que o futuro não se constrói com armas, mas com lápis e livros, educação e conhecimento. E talvez seja por isso que ela sabe, como ninguém, a gravidade da tragédia paulista. Lá, a escola pública, essa instituição socialmente central e eticamente imprescindível, morreu um pouco, com os seus alunos, vítima das chacotas públicas, da falta de incentivos, da ineficiência dos governos, das falas condenatórias e vexatór...

A PEDIDO DO MINISTRO, FILMEMOS AS ESCOLAS, EM SEU ABANDONO E DECADÊNCIA

O Ministro pediu que cantemos o hino, com garbo e elegância e que enviemos a ele as lindas imagens de adolescentes e jovens pretensamente adestrados. Estrangeiros em nossa própria terra, repetimos o lamento do salmista: “como poderíamos nós cantar um cântico de alegria em terra estranha?”  O ministro pede fileiras e bandeira hasteada. Não fala, o digníssimo, das escolas abandonadas, da má formação dos professores, da falta de segurança e da violência escolar, dos baixos salários, da falta de equipamentos... O ministro exige que filmemos crianças batendo continência ao lábaro estrelado, mas não se pergunta se nossas escolas têm Wi-Fi ou outros equipamentos de comunicação e tecnologia educacional capazes de aumentar o interesse dos nossos estudantes pelo conhecimento. Quer o Brasil acima de tudo, o senhor ministro. Impõe o lema pobre e infeliz do candidato agora presidente, enquanto sua laia reverencia o império norte-americano de Trump. O cinismo é ululante,...

A HOMOFOBIA É CRIME. QUE OS INFRATORES SEJAM PUNIDOS

A situação que caracteriza a violação de um direito humano, tal como tipificada internacionalmente, ocorre quando a dignidade da pessoa humana é ferida. Ter dignidade significa, antes de qualquer coisa, ter o direito de ser quem se é. Se você é negro, mulher, indígena, homem, idoso ou jovem... nada disso interessa, porque os outros devem garantir a você o direito de ser quem você é e o Estado tem a obrigação de promover e proteger esse direito.  É disso que se trata o debate em torno da homofobia que está em andamento essa semana no Supremo Tribunal Federal brasileiro. Devido à ausência de uma legislação capaz de condenar os infratores e reprimir a onda de violência que se abate sobre a população LGBTQ+ no nosso país. Os dados são assustadores: o Brasil o país que mais mata homossexuais no mundo. Só em 2018 foram contados 360 assassinatos e mais outros 100 casos de suicídio, motivado no geral, por preconceito e intolerância, inclusive e principalmente da parte dos fa...