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A GRAVIDADE EXIGE A GREVE EM DEFESA DA EDUCAÇÃO



A educação brasileira nunca foi tão necessária e, ao mesmo tempo, nunca foi tão vilipendiada e criminalizada. Começaram atacando os professores, xingados em palanque público como responsáveis pela crise. O famigerado projeto “Escola sem partido” foi um sintoma dessa campanha de difamação sem precedentes. Depois vieram as imposições moralistas, os discursos pseudo-religiosos, baseados nos negacionismos e nos revisionismos históricos. Tudo para implantar uma ideologia baseada na ignorância e no malfeito. 

O próximo passo foi a escolha de um ministro incompetente, não apenas mal intencionado como observante dos preceitos que pretendiam sucatear aquilo que tinha sido um dos pontos altos dos governos passados e que é o calcanhar de Aquiles do progresso nacional: as universidades. Não bastassem os desmandos, as palhaçadas, os ditos e desditos, o governo abriu as portas do esgoto para escancarar o quanto a educação estava fora de seu plano - aliás, se é que ele existe, já que se trata de um governo eleito sem ter participado de um único debate sobre o que pretendia para o país.

Substituído o primeiro ministro, a tragédia se completou com o anúncio dos cortes nos investimentos, que se soma à campanha de ataques e acusações, reunidos na palavra “balbúrdia”, com a qual enterramos definitivamente o futuro.

A situação é absolutamente grave. Sem educação comprometemos o nosso futuro como nação livre e democrática, mantendo as rédeas e os cárceres aos quais estamos atrelados historicamente.

Por isso, amanhã, a gravidade pede a greve. Como Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, estaremos caminhando com professores, estudantes e todos os cidadãos brasileiros em busca da educação pública, gratuita e de qualidade.

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