O Ministro pediu que cantemos o hino, com garbo e elegância e que enviemos a ele as lindas imagens de adolescentes e jovens pretensamente adestrados. Estrangeiros em nossa própria terra, repetimos o lamento do salmista: “como poderíamos nós cantar um cântico de alegria em terra estranha?”
O ministro pede fileiras e bandeira hasteada. Não fala, o digníssimo, das escolas abandonadas, da má formação dos professores, da falta de segurança e da violência escolar, dos baixos salários, da falta de equipamentos...
O ministro exige que filmemos crianças batendo continência ao lábaro estrelado, mas não se pergunta se nossas escolas têm Wi-Fi ou outros equipamentos de comunicação e tecnologia educacional capazes de aumentar o interesse dos nossos estudantes pelo conhecimento.
Quer o Brasil acima de tudo, o senhor ministro. Impõe o lema pobre e infeliz do candidato agora presidente, enquanto sua laia reverencia o império norte-americano de Trump. O cinismo é ululante, inclusive quando fala de Deus, confinado nos discursos moralistas de gente que dobra joelhos para a mentira e a prevaricação com a coisa pública, deixando à míngua milhões de crianças, adolescentes e jovens.
A incongruência da proposta é só equivalente à sua ineficácia social. Não é de etiqueta, hinos e bandeiras que nossos estudantes precisam. É de educação qualificada. É dela e de suas exigências que nós ainda esperamos o ministro falar, enviar carta, pedir filmagens.
Enquanto isso, vamos mandar ao ministro as cenas de nossas escolas pichadas, dos banheiros imundos, das carteiras quebradas, das cozinhas sem alimento, dos pátios sem quadras de esportes, das bibliotecas sem livros ou computadores. Vamos enviar a ele as imagens dos professores agredidos, dos estudantes em guerra, vítimas do tráfico, das armas, da falta de futuro.
Quem sabe assim, o ministro comece a falar do que realmente importa

Uno-me as suas considerações!
ResponderExcluirEm tempo, seria interessante corrigir para hasteada na frase "O ministro pede fileiras e bandeira asteada"
Obrigado!!
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