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Mostrando postagens de março, 2019

MORRE FREI FERNANDO, COM A VERDADE IMPRESSA NA ALMA

VÁ EM PAZ, IRMÃO. “Era como se eu estivesse escrevendo em minha alma aquilo, para não sair nunca mais”: foi com essa frase, ao mesmo tempo forte e terna, que Frei Fernando começou uma entrevista, por ocasião do lançamento do livro escrito em parceria com Frei Betto. Era o seu diário. O relato das torturas, das dores e das esperanças que brotavam das prisões da ditadura militar brasileira.   Ao escrever na alma aqueles relatos, Frei Fernando testemunhou ao longo da sua história terrena, não apenas a vocação e a força de um homem, mas sobretudo as evidências dos fatos que afetaram milhares de pessoas no nosso país, e representam uma das páginas mais tristes de nossa história. No seu texto estão os sangues e as alucinações, as lágrimas e os medos, a escuridão, a fome, os espancamentos, os choques, os afogamentos, os corpos e os sonhos de muita gente. Enquanto escrevia tudo isso naquele papel, em letras minúsculas, Frei Fernando entregava ao mundo, as verdade...

“EU SOU PROFESSORA, NÃO SEI ATIRAR”, DISSE ELA, ENTRE LÁGRIMAS, OUVINDO OS TIROS DE SUZANO.

A frase é de uma professora universitária que buscou hoje, pelo meio dia, a sua filha na escola, enquanto ouvia no rádio as notícias sobre o horror na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano. Na porta da escola, ela secou as lágrimas e avistou Clarinha, derramando-se: “vem filha!”. A frase teve novo sentido diante daqueles dez mortos, dos vários feridos, do horror dos meninos fugindo dos tiros, do inferno dos pais ligando para o celular que não responde, dos outros tantos atordoados em frente à escola. Marcella não sabe atirar, porque aprendeu, por talento e vocação, que o futuro não se constrói com armas, mas com lápis e livros, educação e conhecimento. E talvez seja por isso que ela sabe, como ninguém, a gravidade da tragédia paulista. Lá, a escola pública, essa instituição socialmente central e eticamente imprescindível, morreu um pouco, com os seus alunos, vítima das chacotas públicas, da falta de incentivos, da ineficiência dos governos, das falas condenatórias e vexatór...