Hoje, 07.05.19, o presidente Bolsonaro foi aplaudido com entusiasmo raro. Na plateia, além dos velhos políticos, estavam os defensores da indústria das armas e demais empresários interessados na venda da morte como medida de eliminação dos indesejados sociais.
Não há nada mais diabólico na sociedade moderna do que a violência indiscriminada praticada pela liberação da posse e do porte de armas. Diabólico porque mata, mas também porque engana: com a desculpa de garantir a segurança pública desejada por todos os brasileiros, o atual governo mente porque a liberação das armas não apenas transfere para a sociedade a obrigação que é sua, mas sobretudo, porque esconde os verdadeiros interesses (econômicos, especialmente) que estão por detrás destas medidas.
Entre os que aplaudiram, estavam os membros do alto escalão do governo, entre os quais o autoproclamado herói-juiz agora ministro da justiça. É vergonhoso e lamentável que a justiça aplauda medidas que acabam por colocar em xeque o estatuto do desarmamento, a lei que deveria gerenciar tal assunto.
Ao flexibilizar as regras para registro, posse, porte e comercialização de armas de fogo e munições a colecionadores, atiradores esportivos e caçadores, o governo abre mão da sua capacidade de gerenciar a crise de segurança que afeta a todos nós, com o objetivo de liberar a matança indiscriminada. As milícias urbanas e rurais saem vitoriosas. Sai vitoriosa a indústria da morte, a fábrica do horror que coloca a propriedade acima da vida. A mesma propriedade que é negada àqueles que não têm onde viver, que estão submetidos à miséria e à ignorância, à falta de saúde e de educação. Sem ter para onde ir, os pobres brasileiros cujas vidas são descartáveis, não terão sequer onde recostar a cabeça em paz. Armados pelas ruas, poderemos viver a matança como esporte dos ricos proprietários contra os pobres, tal como já temos registros nos últimos meses.
Só o Deus da paz poderá nos salvar de tal horror. E é ele que haverá de cobrar as razões dessa gente que diz agir em seu nome mas oferece sacrifício com sangue de inocentes, sob o aplauso dos serviçais do diabo.

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