A escola é uma das mais importantes instituições sociais. Sua história remonta à Academia de Platão, ao Liceu de Aristóteles e ao Jardim de Epicuro. No grego, Escola se diz “scholé”, lugar do ócio, o que significa que ela cumpre o papel de retirar os cidadãos da vida prática e dos afazeres domésticos para dar-lhes tempo para pensar. A escola é lugar (e o tempo) do pensamento.
Se na família nos afirmamos como indivíduos, porque ali estabelecemos nossos primeiros laços afetivos, na Escola nos afirmamos como cidadãos, porque é nela que nos encontramos com os primeiros “estranhos” e, assim confrontados, aprendemos as normas da vida social. A escola prepara para a vida.
Agora o governo federal quer negar essa história, como tem feito em outros capítulos. Não bastasse o revisionismo e o negacionismo que afetam conteúdos, eles agora atingem a própria instituição escolar. Atacada de todos os lados, empobrecida e abandonada, a Escola já não é mais importante.
O projeto que pretende autorizar o ensino domiciliar é um golpe fatal contra ela. Até agora o desastrado Ministério da Educação não foi capaz de propor nenhuma medida para qualificá-la.
Ao entregar nossas crianças a suas famílias, corre-se o risco de aumentar a desigualdade de oportunidades, o isolamento e a apatia social, a desinformação e a falta de civilidade que abate boa parcela da nossa juventude. Muitas vezes sem tempo e sem preparação para cuidar da educação básica de seus filhos, do que fazem nas redes sociais, do que leem ou não leem, de como ocupam seu tempo... caberá aos pais a tarefa educativa em seu sentido mais rigoroso e específico. Uma tarefa para qual nem todos, e arrisco a dizer, por motivos diferentes, a maioria, não está preparada.
Em nosso tempo, vivemos desafios teóricos e práticos que exigem qualificação e formação específica. Entregar crianças para pessoas sem formação específica para uma tal tarefa (mesmo que sejam seus pais) é como entregá-las a médicos sem preparo adequado. Nos dois casos, o que está em jogo é a vida, as chances, o futuro.
Não, não é como a ministra diz. O direito da criança e do adolescente é ter uma escola digna e adequada, não permanecer em casa. A educação - e, por óbvio, a escola - é que são diretos humanos básicos. O governo Bolsonaro deveria primeiro garantir isso, antes de desarrumar o que já é caótico. Antes de tudo precisamos da Escola e da valorização dos professores. E que aos pais, seja oferecido casa, emprego e saúde. Do contrário, enquanto abandonamos nossas crianças a famílias despreparadas, apenas os filhos da elite receberão educação de qualidade, em centros de excelência. O Brasil só tem uma saída e ela passa pela Escola. Gratuita, de qualidade, para todos.

Concordo em gênero e grau. A escola é essencialmente para todos (ricos ou pobres); é dever do Estado promovê-la, junto com os profissionais de Educação e os estudantes (especialmente os adolescentes e alunos do Ensino Superior) - Escola Participativa. Sou Sociólogo e lembro ainda da ubiquidade da política na vida social.
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